Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

DESFAZER DO PORCO



Continuado a campanha "matança" hoje vamos mostrar como os porcos eram "desfeitos" para mais tarde se tornarem naquilo que no fundo todos nos gostamos, ora seja presunto ora uma bela linguiça, alheira ou mesmo uma sangueira ou salpicão.


Para poder "limpar" o animal primeiro era preciso cortar a "couracha" (como pode ser visto no post anterior) e em seguida os porcos eram pendurados numa viga para facilitar esse processo de limpeza com pode ser visto na foto em cima.



 

Nesta bela foto podemos observar um dos porcos já limpos com o "unto" em cima das patas da frente, enquanto o segundo porco aguarda pela sua hora de limpeza interior.


 

Nesta foto podemos ver em primeiro plano uns baldes por baixo dos porcos. Estes são postos no local porque após retirados que são os intestinos e órgãos interiores algum sangue ainda vai derramando aos poucos. Deste modo evitam-se manchas no chão e posteriormente aproveita-se o mesmo na confecção do fumeiro. Gostaria de relembrar que o processo de limpeza em geral era feito por três pessoas e era bastante rápido.



Mais uma bela foto dos futuros presuntos que se tornaram bem famosos na nossa região e que antigamente eram vendidos para se ganhar algum dinheiro e serem posteriormente servidos aos restaurante do pais como "Presunto de Chaves". Porem hoje em dia a realidade é totalmente diferente e os presuntos são normalmente para consumo da casa com uma ou outra possibilidade de oferta a um familiar ou amigo.



Estando o trabalho de limpeza concluído nada melhor que "matar o bicho". Normalmente o pequeno almoço consistia de parte dos porcos acabadinhos de limpar como eram as filhoses de sangue, fígado, coração e a famosa "roncadeira" acompanhados com um bom pão centeio e um tinto da região.


 

Entretanto as senhoras punham mãos há obra de limpar os intestinos dos porcos, já que os mesmos serão parte integral do fumeiro do qual falaremos mais tarde num outro post.



Neste pormenor podemos verificar o árduo trabalho que é a limpeza dos intestinos. As senhoras tem de ter o máximo cuidado para não romper os mesmos porque estão dependentes deles para funções de fumeiro. Como foi referido no post anterior todo o animal é consumido e nada é desperdiçado.


Entretanto vai-se preparando a "salgadeira" que consiste não mais do que uma simples caixa de madeira aberta na qual se vai depositar o animal já devidamente desfeito em partes. Na foto podemos ver como o sal (bastante grosso) esta a ser espalhado para depositar as carnes. Este processo era feito para preservar as carnes que mais tarde eram retiradas da salgadeira e postas na área de lareira para serem fumadas.


Uma vez que o sal grosso foi espalhado uniformemente no fundo da salgadeira o porco agora todo cortado em pedaços (corte que advêm de gerações passadas e que se foi ensinando as gerações mais novas) e é agora depositado em cima do sal para que o mesmo penetrar na carne.


O processo de salgar o porco é então repetido pelos restantes porcos. No final o sal é também posto pela parte superior da carne ate que fique todo coberto em sal.


Nesta belíssima foto podemos apreciar os belos presuntos e costelas já todos embebidos em sal. A carne fica assim toda coberta por varias semanas ate estar a ponto de ser retirada e fumada na lareira.


E assim damos por terminado o desfazer do porco. Fiquem atentos aos próximos posts já que vamos também relatar a arte de fazer uma alheira, linguiça e salpicão em suma o fumeiro tradicional da região do Alto-Tâmega versão Castelões.

Publicado Por Aldeia de Castelões às 01:15

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2 comentários:
De Afonso Cunha a 16 de Janeiro de 2008 às 23:17
Que ricos bichos e criadinhos a centeio da terra, batatinha da terra, milhinho da terra, maçazinha da terra, cabaças da terra, água pura da terra, eu sei lá que mais.
Quando se prova desta carne, nota-se a diferença. Ó se nota.
De Luís da Granginha a 15 de Janeiro de 2008 às 12:46
Ai, caros Amigos!

Continuem assim e, depois, ~venham com «a treta» de não se cair na tentação!

E o que é este Logue senão uma ratoeira de tentações?!
"Pintarola" que aqui venha «CAI" nestas tentações como um tordo, por «mais pintado que seja»!

CASTELÕES está-nos cá a sair uma tal revelação!

Aqueles 3 «pitosgas» fizeram-nos cá uma destas invejas!...

Vamos «armar-nos» em "Pirata das Caraíbas" e lançarmo-nos à abordagem de todos esses petiscos com que este Blogue anda pr´áqui a meter ougaço a toda a gente!
O (sr.) Joe e o(sr.) Afonso mostram e contam CASTELÕES de uma maneira que nos faz sentir a barrigota vazia, a água a crescer na boca, e o coração aos pulos.
O TGV tem de parar à nossa porta e ir direitinho a esse altar das tentações!

Perdoados só estareis, Joe e Afonso, quando nós cairmos mesmo nelas!

Bem, ao fim e ao cabo, o que estamos a dizer é que mereceis Todos muitos aplausos!

Luís da Granginha

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