Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

UMA ADEGA CHEIA DE BATATAS



Com uma adega bem cheia de batatas chegou a hora do agricultor descansar um pouco nos meses de Inverno e ao mesmo tempo orgulhar-se em olhar para os futuros pratos da nossa bem recheada gastronomia Lusitana.


O árduo trabalho de um ano de muitos sacrifícios chegou ao fim. Um ciclo que não tem fim já que agora tem de se preparar a nova "sementeira" escolhendo por entre as batatas aquelas que são as ideais para um novo ciclo de trabalhos começar.


Já não é do muito do meu tempo do qual as gentes de Castelões se deslocavam a terras Barrosas à procura da melhor batata possível para o novo ano de culturas. Aldeias como Meixedo, Gralhas, Solveira , Sarraquinhos e Pedrário faziam parte do itinerário da batata de sementeira. Por entre os velhinhos "Estradões" e os muitos atalhos por entre os montes e outeiros, carregavam nos seus burros ou cavalos os sacos com a semente e percorriam a pé enormes distancias muitas das vezes sobre um céu a descarregar a sua fúria em chuva, muito frio e por vezes também neve.



Hoje em dia o ritual ainda se usa mas as novas tecnologias permitem ao homem conduzir o seu carro pelas novas estradas, que embora ainda não sejam as que melhores condições oferecem, são um oásis se as comparamos aos estradões ou "rodeiras" que ligavam as aldeias.


Estamos quase, quase a aproximarmo-nos de mais um ano de sementeiras e com isso é a altura de escoar o resto do produto para fora das adegas e dar o inicio há preparação da terra. Antigamente preparavam-se as "Charruas" para virar o "Terrão" ou como diriam outras pessoas "desfazer a terra". Hoje porem é mais fácil já que o tractor que é munido de varias ferramentas e faz todo um trabalho que não era precisamente fácil nem rápido.


Infelizmente o trabalho do agricultor na nossa aldeia assim como na maioria da região Transmontana nunca foi fácil nem remunerou o quanto baste para que as pessoas possam ter uma vida com o aconchego que procuram e merecem. A industrialização do sector agrícola veio de certo modo acabar com as velhinhas tradições e hoje a cultura de subsistência é um acto quase normal. Os preços oferecidos pela batata são ridículos já que outros países Europeus produzem a mesma em vastas quantidades e com isso podem oferecer preços mais acessíveis aos consumidores. Com isto a desertificação humana vai-se acentuando nas aldeias e os terrenos de cultivo vão cada vez ficando mais de "Poulo".


Só nos resta agora esperar que as coisas alterem um pouco e que olhem para o agricultor com mais vontade de o ajudar, pois eles melhor que ninguém sabem os sacrifícios que passam para poder sobreviver. Para todos os agricultores de Castelões vão os nossos desejos de melhores dias e a merecida dedicatória do post de hoje.

Publicado Por Aldeia de Castelões às 01:01

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