Quinta-feira, 12 de Março de 2009

ADOLFO CORREIA DA ROCHA

 

Ar livre, que não respiro!

Ou são pela asfixia?

Miséria de cobardia

Que não arromba a janela

Da sala onde a fantasia

Estiola e fica amarela!

 

Ar livre, digo-vos eu!

Ou estamos nalgum museu

De manequins de cartão?

Abaixo! E ninguém se importe!

Antes o caos que a morte...

De par em par, pois então?

 

"Ar Livre"

 

 

O que é bonito neste mundo, e anima,

É ver que na vindima

De cada sonho

Fica a cepa a sonhar outra aventura...

E que a doçura

Que se não prova

Se transfigura

Numa doçura

Muito mais pura

E muito mais nova...

"Confiança"

 

 

Pátria sem rumo, minha voz parada

Diante do futuro!

Em que rosa-dos-ventos há um caminho

Português?

Um brumoso caminho

De inédita aventura,

Que o poeta, adivinho,

Veja com nitidez

Da gávea da loucura?

 

Ah, Camões, que não sou, afortunado

Também desiludido,

Mas ainda lembrado da epopeia...

Ah, meu povo traído,

Mansa colmeia

A que ninguém colhe o mel!...

Ah, meu pobre corcel

Impaciente,

Alado

E condenado

A choutar nesta praia do Ocidente...

"Lamento"

 

 

O poema quer nascer das trevas.
Está nas palavras, e não as sei.
É como um filho que não tem caminho
No ventre da mãe
Dói,
Dói,
Mas a negar-se teimosamente
A todos os acenos libertadores
Do desespero dilacerado.
No silêncio cansado
E paciente
Canta um galo vidente.
E diz a cada dia
Que anuncia
E sempre um dia novo
De renovo
E poesia.
                                                                                                  "Esperança"

 

 

 Fica hoje a homenagem e dedicatória do povo de Castelões a este escritor Português, nascido em Trás-os-Montes mais propriamente em São Martinho da Anta. Também ele passou e visitou Castelões bafejando-nos com as suas nobres palavras.

 

Castelões, Chaves, 9 de Setembro de 1982
 
Visita à Senhora do Engaranho, pobremente recolhida numa ermida tosca da serra, com lindas vistas e muita solidão. É um consolo verificar como o nosso povo teve artes de arranjar em todas as horas advogados para todas as aflições. A desgraça é que os arranjou no céu.
 
Castelões, Chaves, 29 de Agosto de 1989
 
Peregrinação contrita à Senhora do Engaranho, desta vez por minha intenção, na esperança de que ela seja também advogada dos enjeridos do espírito.
 

Muito Obrigado,

Miguel Torga

Publicado Por Aldeia de Castelões às 01:42

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1 comentário:
De afonso cunha a 13 de Março de 2009 às 16:30
A Aldeia de Castelões, sente-se Honrada com a visita do ilustre Poeta e Escritor Transmontano.

Qual o motivo que o levaria a visitar Castelões por duas vezes? Seriam os ares da nossa serra e as magníficas vistas que de lá se tem? Seria pela simplicidade e simpatia da nossa gente ou, quem sabe. pelo chamamento da Senhora, já que nas duas visitas escreveu sobre Ela?

E quem teria ido desde S. Martinho de Anta até à nossa pequena aldeia? O Dr. Adolfo Rocha ou o Poeta Miguel Torga?

Respostas difíceis, se não, impossíveis de obter.

O que sabemos, é que na actualidade e através do nosso Blog, continuamos a ser visitados, desde a Patagónia ao Alaska, da Sibéria ao mais pequeno Pais Africano, por muitos outros ilustres desconhecidos.

Há também aqueles que fizeram como o Poeta Miguel Torga de S. Martinho da Anta. Foram desde Vale da Anta uma primeira vês a Castelões, gostaram, voltaram e que sobre nós, escrevem o que lhes vai na alma.

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